sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

"Ética" (Vazquez) Cap. I - Questões para estudo do texto

Cap. I - Objeto da Ética

01. Cite exemplos de dilemas éticos.

02. Defina: norma, moral e juízo .

03. Explique “moral vivida” e “moral reflexa”.

04. Defina Ética e Moral e explique a relação entre ambas.

05. Explique o caráter científico da Ética.

06. Explique como a Ética pode interferir na Moral sem ser prescritiva.

07. Historicamente a Ética está ligada à Filosofia. Existem, no entanto, uma visão tradicional de ética e uma científica. Explicite este debate.

08. Estabeleça uma relação entre Ética e Psicologia e explique o perigo do “psicologismo ético”.

09. Estabeleça uma relação entre Ética e Sociologia e explique o perigo do “sociologismo ético”.

10. Explique a contribuição da antropologia contra a pretensão dos teóricos da moral?

11. Estabeleça uma relação entre Ética e Economia Política nos seus dois aspectos fundamentais.

12. Cite um exemplo de questão ética ou moral com a qual o psicólogo costuma lidar. Cite a situação e esclareça se se trata de um problema ético ou moral, explicando porque.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

"Ilha das Flores"


Vejam postagens sobre o curta "Ilha das Flores" no arquivo do blog 2010 (Fev)

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

E para você, o que é ALTERIDADE?


P
or que se diz que a Antropologia é a ciência da alteridade?

Ética (Seleção de Monitoria)

Atenção:
Teremos seleção de monitoria para a disciplina:
"Ética e Relações Profissionais"
Maiores informações procurem o COPEX

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

"Sociologia e Direito: duas realidades inseparáveis" (Andrea Lucas S. de Castro)

Leia o texto


Questões:

01. Estabeleça uma relação entre Sociologia e Direito.

02. Cite exemplos da relação entre Sociologia e Direito.

03. Em que sentido a Sociologia é vista como uma ciência positiva e o Direito uma ciência normativa?

04. Para Recasens, qual a relação entre Moral e Direito? O que significa encarar o direito como fato social?

05. Sobre a Sociologia Jurídica, responda:

a) Qual o seu objeto de estudo?

b) Quais os seus principais fundadores?

c) Quais as principais barreiras que impedem uma melhor compreensão desta ciência?

06. Quais os objetivos da Sociologia Jurídica?

07. Reflita sobre a expressão: “onde houver sociedade haverá direito”

08. Segundo Philip Selznick, quais as etapas de desenvolvimento da Sociologia do Direito e em qual ela se encontra?

09. Quais temas atuais podem ser abordados pela Sociologia do Direito?

10. Explique a frase: “A relação entre a Sociologia e o Direito deve ser sempre vista como uma reciprocidade.”

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

A sociologia e você

O conhecimento sociológico ajuda a transformar o nosso olhar e a nos perceber como seres singulares contectados a um todo que é a sociedade, com suas alegrias, contradições, conflitos e desafios.


Cite um exemplo de como o conhecimento sociológico contribuiu para que você passasse a ver algo de forma diferente

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Para que estudar Sociologia?

Observe os ARQUIVOS DO BLOG na coluna do lado direito.   O Texto "Para que estudar Sociologia?" está postado em FEVEREIRO (2010).  É só clicar e o encontrará no final da página, pois foi uma das primeiras postagens.   Leia o texto atentamente.   Será muito bem vindo o seu comentário no blog.   Destaque os aspectos que considerar mais relevantes para debatermos em sala de aula.   Boa leitura e até lá.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Psicologia - "Conhecer Pessoas"

Atenção estudantes de Psicologia!  
Acessem a página especícifica da disciplina "Ética" neste blog  e acompanhem as nossas aulas e atividades.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Democracia - Renato Lessa

Quino, autor da “Mafalda”, desiludido com o rumo deste século no que respeita a valores e educação, deixou impresso nos *cartoons* o seu sentimento.

Pernas
Cérebro
Contato humano
Cultura
O próxiimo a quem amar
Ideais, moral, honestidade
Deus
É importante que desde pequeno aprendas bem como as coisas são.

domingo, 8 de agosto de 2010

"O que faz o brasil, Brasil" (Roberto DaMatta)

Os estudantes do curso de História (2º sem) URCA iniciaram o cliclo de apresentações de trabalhos tendo como objetivo debater da complexa questão da nossa "identidade" enquanto brasieliros.  Para isso fundamentaram-se na obra do conhecido antropólgo Roberto DaMatta, associando com pesquisas sobre a cultura local.   O resultado tem proporcionado momentos de descontração e aprendizagem. 
 
Vejam os registros fotográficos:

1. "O que faz o brasil, Brasil: a questão da identidade"

4. "Sobre comidas e mulheres"
2 "A casa, a rua e o trabalho"

7 "O modo de  navegação social: a 'malandragem' e o 'jeitinho'
8 "Os caminhos para Deus"
5. "O carnaval ou o mundo como teatro e prazer"
Degustação de mungunzá
6. "As festas da ordem"
Degustaçãoo de mungunzá

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

"Ser pobre é ser culpado até que se prove ao contrário?"

Assistam o documentário "Nos olhos da esperança" através do link
http://nosolhosdaesperanca.blogspot.com/  e postem seus comentários procurando responder: "Ser pobre é ser culpado até que se prove ao contrário?"  Essa questão interessa a todos nós, e merece uma atenção especial de quem pretende atuar do campo do Direito.   Com a ajuda da Sociologia podemos compreender as questões sócio-econômicas que caracterizam a Justiça e a Polícia no nosso país.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

A arte de sensibilizar o olhar... (ANTROPOLOGIA)

"A arte de sensibilizar o olhar ou por que ensinar antropologia?" (Débora Krischke Leitão)

"Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara. "
Livro dos Conselhos
. *

Marcel Duchamp se permite uma licença poética para definir a pintura como atividade retínica, como arte do olhar. Proponho que se pense então a questão da Antropologia no ensino médio, se não como uma arte do olhar, como um exercício de brincar com a retina. Ensinar Antropologia seria, assim, possibilitar e estimular jogos de luzes, de ângulos e distâncias.
Um par de óculos e uma centenas de lentes
A relação do homem com o mundo é sempre mediada por suas ferramentas. Ele constrói, apreende e interpreta a realidade a partir dos instrumentos que lhe são fornecidos pela cultura. Tecelão quase compulsivo de si próprio, borda sem cessar teias de significados para dar sentido ao mundo (GEERTZ,1989:15) Essas teias, onde se misturam pontos abertos e fechados, novos e antigos, e linhas de todas as cores, são a cultura. É a partir desse véu da cultura, dessas lentes, que vemos então as coisas, os outros, e a nós mesmos.
Cada cultura, entretanto, teria seu par de lentes próprio, ou, no máximo, um certo número de lentes utilizáveis, um certo leque de possibilidades de formas de ver o mundo. As lentes de uma sociedade nunca são as mesmas de outra (BENEDICT, 1997:19). Ainda que tenham semelhanças, são encontradas certas nuanças e particularidades. O que pode ser considerado ponto comum entre todos os homens é a armação, a existência dos óculos em si. As lentes, sempre diferentes, vão variar em espessura, cor e formato.
Uma vez vendo os outros por detrás dessas lentes, e a partir de uma visão de mundo, há uma tendência em considerar nossa forma de ver e fazer as coisas como a mais correta, ou mesmo a única correta. Tal postura etnocêntrica consiste em tomar o que é nosso como o verdadeiro, e o que é do outro (e o que é o outro) como digno de reprovação, dando assim aos nossos valores um suposto caráter de universalidade (TODOROV, 1993: 21).
Uma vez estando ao nosso lado todas as verdades e a certezas, estaríamos autorizados a interferir, em nome de nossa bondade e piedade, no que é do outro. Partindo desse pressuposto muitas formas de dominação, e mesmo etnocídios, tentaram ser legitimados.
O Etnocentrismo não é, entretanto, exclusividade de nossa sociedade ocidental e moderna. É um fenômeno que se registra por toda a parte. Sobre o assunto, Heródoto já nos contava que:

"Se fosse dada a alguém, não importa a quem, a possibilidade de escolher entre todas as nações do mundo as crenças que considerasse melhores, inevitavelmente... escolheria as de seu próprio país. Todos nós, sem exceção, pensamos que nossos costumes nativos e a religião em que crescemos são os melhores... Existe uma multiplicidade de evidências de que este sentimento é universal... Poderíamos lembrar, em particular, uma anedota de Dario. Sendo ele rei da Pérsia, chamou alguns gregos presentes em sua corte e perguntou-lhes quanto queriam em troca de comer os corpos de seus pais defuntos. Os gregos replicaram que não havia dinheiro suficiente no mundo para fazer isso. Depois perguntou a alguns índios da tribo chamada Callatie - que realmente comem os corpos de seus pais defuntos - quanto queriam para queimá-los (referindo-se, é claro, ao costume grego da cremação). Os índios exclamaram horrorizados que nem se devia falar em coisa tão repugnante"*

Binóculos: explorando territórios desconhecidos
Partir para o território do outro, dar espaço ao que não é familiar: esse é o primeiro passo para uma possível transformação do olhar, uma relativização de ponto de vista. A curiosidade do homem sobre si próprio sempre existiu, mas a passagem do curioso, do exótico e do bizarro, para uma consciência da alteridade é que marca realmente o pensamento do homem sobre o homem (LAPLANTINE, 1995:13), e a reflexão a respeito da diferença.
A diversidade cultural só pode ser compreendida se a postura frente ao estranho e ao estrangeiro se tornar mais flexível e permitir existência da diferença enquanto diferença, não enquanto hierarquia.
Deve-se então, em primeiro lugar, aceitar que o outro existe, conhecê-lo e reconhecê-lo. É preciso perceber que somos apenas uma das culturas possíveis, e não a única. Conhecendo as diferentes formas de lidar com o mundo, as diferentes respostas dadas pelas mais diversas culturas é que se pode relativizar o que nos é o estranho, tentando encontrar, assim, no olhar do outro, o ponto de partida. Nossas lentes muitas vezes nos cegam, quando tentamos ver o que está distante. Ajustemos então essas lentes para mais longe, não deixando que nos ceguem para o outro e, principalmente, nos tornem míopes para nós mesmos.
Ensinar a olhar é, assim, antes de tudo, apontar os caminhos desse olhar, fazendo nascer a consciência da diversidade cultural e da pluralidade das culturas.
O Jogo dos Espelhos
É a partir do reconhecimento do outro que eu posso, finalmente, entender quem sou. Cruzar a fronteira, deixando meu território, é a melhor forma de - olhando para trás - ver meu mundo com o espanto e a curiosidade que não podia germinar enquanto eu estava dentro dele.
Por mais que o antropólogo tenha esse quê de viajante, não precisamos aqui falar em transposição de fronteiras físicas. A viagem que proponho é a de simplesmente enxergar o outro lado, a outra margem do lago, o que não me pertence e é diferente de mim. Através do estranhamento provocado pelas outras culturas, modifica-se a forma que temos de olhar sobre nós mesmos.
A reflexão antropológica é, em certa medida, o exercício de um desejo narcísico de conhecer a si próprio. O Narciso antropológico, ao contrário daquele de que tanto ouvimos falar, não vê no lago sua imagem familiar refletida, e sim a imagem de algo que é desconhecido, rica em detalhes que, antes de ver o outro, passavam desapercebidos.
É um Narciso que, em vez de apaixonado, se aproximar cada vez mais do lago para mergulhar em si próprio, toma certa distância para admirar-se de mais longe e a partir de outros ângulos. Começa, então, a estranhar a si próprio, a se espantar com tudo que lhe parecia banal.
O conhecimento de nossa própria cultura só é possível, assim, através do conhecimento do outro, das outras culturas. A partir da experiência da alteridade tem lugar, então, um descentramento do olhar. Essa revolução no olhar (LAPLANTINE, 1996: 19) provocada pelo distanciamento permite, então, que nos espantemos com o que nos é mais familiar, com o que é parte de nosso cotidiano e da sociedade na qual vivemos.
O jogo dos espelhos é justamente esse, tornar o estranho familiar e enxergar o mais familiar com espanto e estranhamento. Assim, passamos a observar mais atentamente tudo o que encontramos. Passamos, principalmente, a reparar.
Bem debaixo do seu nariz
As fronteiras entre o inato e o adquirido são extremamente tênues e vacilantes. Pode-se dizer que todo comportamento humano, do mais simples ao mais complexo, contém um pouco de cada uma dessas duas dimensões. Geertz nos traz o exemplo da anatomia humana: natural e fisiologicamente preparada para a fala, de nada serviria se vazia da cultura, uma vez que é ela que nos fornece as línguas, os idiomas e os dialetos a falar. (Geertz,1989:62). A relação entre natureza e cultura sempre foi interesse não só da Antropologia, mas de praticamente todas as outras formas de busca de conhecimento inventadas pelo homem.
Dada sua proximidade extrema, certos hábitos e costumes culturalmente construídos são, muitas vezes, vistos como fenômenos naturais inatos. De muito perto, sua imagem se desfoca, perdendo a nitidez. Como enxergar com perfeição, afinal, o que está bem debaixo do seu nariz?
A prova mais substancial de que uma série de características humanas naturalizadas são, na verdade, culturalmente dadas é, antes de tudo, o conhecimento de outras realidades onde há uma variação do padrão cultural. Dotados de uma anatomia semelhante, damos a nossos corpos diferentes usos. A maneira de caminhar, vestir, sentar, comer e até mesmo rir, se dá de cultura para cultura, de forma diversa. É a partir da percepção da diversidade, da presença do outro, que se pode relativizar, portanto, nossa própria sociedade. Percebendo que existem outras formas diferentes da nossa de expressar a dor, outras regras de casamento, práticas de cura muito diferentes e distintas crenças e religiões, vemos também nossa cultura com outros olhos. Olhos mais críticos mas, antes de tudo, mais aguçados e muito mais sensíveis.
Do olhar crítico ao olhar sensível
As diretrizes curriculares propostas pelo Ministério da Educação estabelecem a construção de uma visão crítica do mundo como uma das competências a serem desenvolvidas em Sociologia no ensino médio. Essa visão crítica permitiria ao aluno "perceber-se como elemento ativo, dotado de força política e capacidade de transformar"
Ela teria então o mérito de proporcionar essa postura reflexiva por ser, antes de tudo, uma disciplina que propõe que se pense a realidade (muitas vezes cotidiana e próxima de nós) de forma a fugir do senso comum. Antropologia e Sociologia, irmãs gêmeas (não univitelinas, porque semelhantes, mas não iguais; companheiras, porém independentes) têm a reflexão sobre o mundo como companhia inseparável.
Pensar o mundo a partir de uma postura antropológica é, entretanto, ir além da visão crítica. É desafiar, sem temores, nossas próprias crenças e certezas (e as dos outros) mas, antes de tudo é perceber a enorme gama de elementos que compõe a realidade. Ensinar antropologia, mais do que mostrar o lugar de posicionamento crítico, é trocar incessantemente de lugar, é possibilitar que se experimente as mais diversas posições. É ser capaz se entregar a empatia e de se deixar colocar em um lugar diferente do seu, "enriquecendo a perspectiva pessoal com a percepção das relações que se estabelecem do ponto de vista do outro" (MACHADO, 1997:81). É conhecer o outro, mas principalmente compreendê-lo e respeitá-lo. É reconhecer, sobretudo, a existência da assimetria e da diversidade.
Trazendo para dentro da sala de aula temáticas do cotidiano, a "cultura da vida", a Antropologia é capaz de proporcionar, espelhada na comparação com o "outro", o distanciamento essencial para o desenvolvimento do olhar sensível. Desenvolver o olhar sensível é exercitar a um só tempo uma postura crítica, política e cidadã, mas também, e principalmente, poética. Sófocles, dramaturgo grego autor da Trilogia Tebana, foi nomeado general porque, por ser poeta, era capaz de ver as coisas em sua totalidade sem, entretanto, perder em minuto algum a dimensão dos detalhes, das pequenas coisas, das gotículas de tinta que formam o quadro maior. Não precisaria o mundo hoje, mais do que nunca, do olhar sensível de generais poetas?
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Bibliografia
BENEDICT, Ruth. O crisântemo e a espada. São Paulo: Perspectiva. 1997
GEERTZ, Clifford. A Interpretação das Culturas. Rio de Janeiro: LTC. 1989
HERÓDOTO História. In: www.perseus.tufts.edu
LAPLANTINE, François. La Description Ethnographique. Paris: Nathan. 1996
LAPLANTINE, François. Aprender Antropologia. São Paulo: Brasiliense, 1995.
LARAIA, Roque de Barros. Cultura, um conceito antropológico. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor. 1996.
MACHADO, Nilson José. São Paulo: Escrituras.1997
TODOROV, Tzetan. Nós e os Outros. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor. 1993


QUESTÕES

 01.   Geertz define cultura como “teia de significados”.  Explicite o pensamento do autor.
 02.   O que você entende por etnocentrismo?
 03.   Não existe cultura superior nem cultura inferior, o que existe são culturas diferentes.   Explique essa afirmação tendo em vista a idéia de cultura como “teias de significados”.
 04.  Por que se diz que a antropologia exige uma “transformação do olhar”?   Explique.
 05.  “Tornar o estranho familiar e enxergar o mais familiar com espanto e estranhamento”   Explique o sentido dessa frase na perspectiva antropológica.
 06.   “Uma série de características humanas naturalizadas são, na verdade, culturalmente dadas”.  Explique essa afirmação e cite exemplos que a justifique.
 07.  O que significa pensar o mundo a partir de uma postura antropológica?
 08.  Comente o título do texto: “A Arte de Sensibilizar o Olhar... ou  Por que Estudar Antropologia?”
 09.  Qual a importância do relativismo cultural para os operadores do direito?
10.  Explique o sentido antropológico das metáforas utilizadas no texto: óculos, lentes, binóculos, nariz, espelho.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Para que estudar Sociologia?

PARA QUE ESTUDAR SOCIOLOGIA?

(Prof. Augusto Tavares)

          Essa é uma pergunta praticamente inevitável para quem ingressa num curso superior e se depara com disciplinas na área de Sociologia pela primeira vez. Não há nada de incomum nessa interrogação, muito pelo contrário, todas as coisas que dizemos conhecer hoje começaram com a admiração, com o espanto, que gerou uma pergunta e depois outra e nunca mais paramos de questionar o mundo e a nós mesmos...
          Mas quando se pergunta o “para que” de algo, pressupõe-se que se esteja querendo saber a sua “utilidade”. Nesse caso, precisa-se também perguntar: o que é uma coisa “útil” e ainda: útil para que e para quem?
          Estamos acostumados a julgar útil apenas às coisas que tem uma finalidade prática imediata. Útil é o que serve para alguma coisa, tem uma aplicação boa, aceitável e, portanto, nos deixa felizes e satisfeitos, certo? Certo! Mas não totalmente.
          Não estamos acostumados a ver como útil algo que nos incomoda, que questiona nossos valores e comportamentos. Contudo, uma das “utilidades” de se estudar sociologia pode ser que seja exatamente esta: deixar-nos incomodados. Incomodados com as explicações parciais, simplistas e imediatas sobre a vida social; incomodados com as injustiças e a manipulação do poder; incomodados com as verdades que se apresentam como absolutas.
          Você deve ter observado que algumas questões parecem não ter resposta, ou não ter uma única resposta, nos causando uma sensação de desânimo. A vida em sociedade é complexa, da reflexão sobre ela não se pode esperar unanimidades.
          A perspectiva sociológica exige uma postura de abertura intelectual temperada pela suspeição e curiosidade que nos ajudará a perceber as contradições da vida social. Isso não acontece sem que provoque uma mudança na nossa maneira de enxergar o mundo e a nós mesmos. Quem se dedica a investigar o comportamento humano passa por uma “revolução” em sua vida, as suas relações se transformam, suas idéias se transformam, seus sentimentos se transformam...
          No entanto, algumas pessoas já estão acomodadas, e não desejam – na maioria das vezes – mudanças que perturbem sua situação. Mas sendo a própria humanidade um processo, ou seja, um movimento contínuo, não podemos ficar parados. Ao entrar em contato com a sociologia é comum experimentarmos, ao mesmo tempo, momentos de incômodo e de satisfação. Alguns temas discutidos nas aulas podem – e devem – gerar uma situação de dúvida, porém é aí que começa a nascer a possibilidade de um conhecimento autônomo, justamente por podermos expressar nossos ideais e inquietações na busca de um entendimento mais claro e amplo da sociedade.
          Lembre-se de que a sociologia nasceu como ciência porque as pessoas sentiram-se insatisfeitas com as explicações que lhes eram dadas e passaram a buscar outras formas de ver e explicar os acontecimentos sociais. Muitas sofreram as conseqüências por ousar pensar diferente, propor mudanças e lutar por seus ideais. E nós que agora nos iniciamos na reflexão sociológica, somos parte dessa tradição.
          A sociologia tem a pretensão de ajudar a nos situar diante às questões que hoje são debatidas no mundo ou na sala de visitas da nossa casa. Sendo uma reflexão sistemática sobre o comportamento humano em sociedade, tem muito a ver com o exercício da cidadania. Se a forma como separamos o lixo na cozinha está relacionada com a consciência ecológica – hoje requisitada a nível global – se a maneira como dialogamos com as pessoas está na base da construção de relações mais democráticas, a reflexão sociológica pode nos ajudar a perceber que as nossas ações cotidianas, condicionadas pelas estruturas sócio-culturais, também influenciam este meio, gerando permanências e mudanças.
          A Sociologia é dinâmica, é um movimento de construção, destruição e reconstrução de explicações teórica e ações práticas. Como tal, não envelhece nem fica parada no tempo. A atividade de quem se envereda pelos seus caminhos deve ser um exercício constante de dúvida e de crítica, numa postura responsável e comprometida. Não é seu objetivo apresentar soluções fáceis e definitivas para a vida de ninguém, o que ela nos traz é a oportunidade de perceber com mais clareza como o mundo social opera a fim de que se possa planejar caminhos alternativos para a sociedade.
          O compromisso com o estudo e com a pesquisa em sociologia, entendido como práxis e não mera repetição, pode ser instrumento interessante para entendermos melhor as situações pelas quais passamos, possibilitando que façamos escolhas mais bem pensadas. Nesse processo, você se sentirá irremediavelmente incomodado, mas verá que assumir esse “incômodo” como uma força propulsora para novos conhecimentos e práticas, o ajudará no caminho da sua formação profissional e crescimento pessoal.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

"O Professor Está Sempre Errado" (Jó Soares)

O que é ser professor?  Esta parece uma pergunta retórica, mas só parece!  Este questionamento está na base das discussões pedagógicas, filosóficas, sociológicas, antropológicas e históricas sobre a atividade docente.  Muito se tem produzido teoricamente sobre o assunto.  Porém, na prática, no dia-a-dia das instituições nas quais realizamos nossas atividades, vivemos um clima de "cada um por sí e salve-se quem puder".  Ademais, os espaços de sociabilidades institucionais que ocorrem geralmente no início de cada semestre, as chamadas "Semanas Pedagógicas",  que deveriam ser voltadas à reflexão sobre a prática, com felizes exceções, são vistas pela maioria dos professores (pressionados a participar) como mera "perda de tempo" uma vez que são organizadas variavelmente com: dinâmicas de integração (que nem todos gostam), apresentação das regras institucionais (previamente decididas pela direção) uma ou outra palestra com professor pesquisador sobre temas pedagógicos (algumas vezes sem relação direta com a prática).  Soma-se a tudo isso a resistência de muitos professores, experientes ou não, com formação pedagógica ou não, em refletir sobre a sua prática.  
Não é à toa que se reproduzam, neste contexto de desvalorização da atividade docente, frases, textos, imagens e idéias que expressam determinadas representações do "Ser professor" e da Educação.  Vez por outra recebemos alguma em nossas caixas de mensagens, rimos muito (ou poderíamos chorar) e repassamos aos demais colegas.   Essas mensagens, no entanto, são carregadas de ideologias que indicam, em parte, o que se não acreditamos, acabamos por legitimar com a sua divulgação, algumas vezes incluindo comentários sarcásticos ou desanimados no cabeçalho.  Há também aquelas que supervalorizam a profissão ou a romantizam.  Felizmente é possível encontrar textos provocativos que, com humor refinado e assumindo uma perspectiva dialética, conseguem expressar a complexidade da questão, nos impelindo à reflexão. 
Inauguro neste blog uma página para postar, comentar e receber comentários sobre as representações do professor presentes nestes textos, afim de aprimorarmos o debate franco e consciente sobre a nossa prática e nos contrapormos às ideias deturpadas e parciais sobre a nossa profissão.
Para inaugurar  essa seção e provocar o início deste debate trago a crônica de Jô Soares "O Professor Está Sempre Errado".

O Professor Está Sempre Errado

O material escolar mais barato que existe na praça é o professor!
Quando...
É jovem, não tem experiência.
É velho, está superado.
Não tem automóvel, é um coitado.
Tem automóvel, chora de “barriga cheia”.
Fala em voz alta, vive gritando.
Fala em tom normal, ninguém escuta.
Não falta às aulas, é um “Caxias”.
Precisa faltar, é “turista”.
Conversa com os outros professores,
está “malhando” os alunos.
Não conversa, é um desligado.
Dá muita matéria, não tem dó dos alunos.
Dá pouca matéria, não prepara os alunos.
Brinca com a turma, é metido a engraçado.
Não brinca com a turma, é um chato.
Chama à atenção, é um grosso.
Não chama à atenção, não sabe se impor.
A prova é longa, não dá tempo.
A prova é curta, tira as chances do aluno.
Escreve muito, não explica.
Explica muito, o caderno não tem nada.
Fala corretamente, ninguém entende.
Fala a “língua” do aluno, não tem vocabulário.
Exige, é rude.
Elogia, é debochado.
O aluno é reprovado, é perseguição.
O aluno é aprovado, “deu mole”.
É, o professor está sempre errado mas,
se você conseguiu ler até aqui,
agradeça a ele!

(Jô Soares)

terça-feira, 20 de julho de 2010

Tópicos Esp. em Cien. Política (Questões)

QUESTÕES PARA ESTUDO DO TEXTO:

FINLEY, Moses I. Líderes e Liderados. In: ____________ Democracia antiga e moderna. Trad. Waldéa Barcellos, Sandra Bedran. Rio de Janeiro: Graal, 1998. (p. 17-53)

1. Como os argumentos da teoria da democracia “Elitista” reforçam o entendimento da “apatia” como ponto pacífico e “natural” das democracias ocidentais?
2. Considerando as reflexões do texto, argumente sobre a relação entre técnica e política no debate contemporâneo sobre teoria da democracia. (p. 28)
3. Considerando as características da democracia direta ateniense, estabeleça uma comparação com o sistema representativo atual. Discuta a pertinência da adoção de mecanismos de democracia direta no contexto contemporâneo. Quais as possibilidades e limites dessa iniciativa?
4. Explique as diferenças entre os modelos de democracia direta ateniense e o sistema partidário das democracias contemporâneas e a influência no “sentido” da liderança.
5. Considerando as reflexões do autor, qual a importância da educação para a promoção da participação política nas democracias contemporâneas?
6. Nas páginas finais, o autor destaca o surgimento de políticos profissionais e de burocratas (especialistas) que, nas democracias ocidentais, assumem o papel de “líderes” em detrimento de uma participação mais ampla e efetiva. Quais os principais elementos da crítica feita pelo autor?
7. O autor sugere que o sistema representativo contemporâneo está diretamente ligado ao fenômeno da apatia política. Discuta se esse processo “é algo necessário e desejável ou se novas formas de participação popular, com o mesmo espírito das atenienses, embora sem sua essência, precisam ser inventadas...? (p. 48)
8. Moses Finley argumenta que, apesar da grande linha divisória entre a democracia da Antiguidade e a Contemporânea, a comparação entre ambas serve de referência para a explicação de muitos aspectos relevantes da teoria da democracia. Exponha, sinteticamente os principais posicionamentos do autor quanto:
          a. A questão dos líderes e liderados
          b. A relação entre técnica e política
          c. O fenômeno da apatia política
          d. A questão da democracia direta e a democracia representativa
          e. O problema da imunidade dos líderes
          f. O papel da educação
          g. O surgimento dos políticos profissionais e crescimento da burocracia

terça-feira, 22 de junho de 2010

Conteúdo AV-FINAL ( F A P )

SOCIOLOGIA GERAL E DO DIREITO (1º sem)
- O que é Sociologia
    - Objeto de estudo   
- Contexto histórico do surgimento da Sociologia como ciência
- Estudo sociológico do suicídio (Durkheim)
- Imaginação sociológica (C. Wrigth Mills)
- Níveis de análise sociológica
    - Microestruturas
    - Macroestruturas
    - Estruturas globais
Perspectivas teóricas da Sociologia e principais autores
    - Funcionalismo (Durkheim, Parsons, Merton)
    - Teor. do Conflito (K. Marx e M. Weber)
    - Interacionismo (Weber, Mead e Goffman)
    - Teor. Feminista (H. Martineau e feminismo contemporâneo)
O Pensamento Sociológico de E. Durkheim   (você deve estudar os conceitos principais)
    - E. Durkheim e o Direito   (o direito como fato social; a questão da Moral; concepção de crime e de pena)
O Pensamento Sociológico de M. Weber   (você deve estudar os conceitos principais)
    - M. Weber e o Direito   (separação entre moral e o direito; burocracia; "a racionalidade o Direito")
O Pensamento Sociológico de K. Marx   (você deve estudar os conceitos principais)
    - Karl Marx e o Direito  (concepção de justiça e de lei; o concepção dialética do direito)

ANTROPOLOGIA (3º sem)
- Conceitos de CULTURA, ETNOCENTRISMO, RELATIVISMO CULTURAL e ALTERIDADE e exemplos concretos que os justifiquem;
- O que é Antropologia, objeto de estudo e contexto histórico;
- Concepção de cultura para Clidfford Geertz;
- Relação Antropologia e Direito
- A importancia do simbólico na constituição do "real" e a sua influência no Direito.
- Estudos antropológicos sobre o "jetiinho brasileito, a malandragem e o sabe com quem está falando"  (Roberto Da Matta)
- Compreensão da Lei, da Justiça e do Direito como sistemas simbólicos (culturais)
- Temas contemporâneos em Antropologia
- Estudo de temas relacionados aos capítulos do livro "Cultura, um conceito antropológico" de Roque de Barros Laraia