sexta-feira, 11 de março de 2011

“Comportamento ético” (Elizete Passos)

Questões para estudo do texto: Comportamento ético

PASSOS, Elizete. Ética e psicologia: teoria e prática. São Paulo: Vetor, 2007 (p. 26-33)

01. Em todos os tempos existiu um horizonte ético. O ideal ético não tem variado; ele vem se repetindo como o direito do ser humano viver de forma digna, humana, justa e feliz. O que muda é a maneira hegemônica de cada época interpretar quais são as prioridades, condições e requisitos para isso. Nesse sentido, explique como era entendida a ética para os GREGOS, na IDADE MÉDIA, na MODERNIDADE e na CONTEMPORANEIDADE.

02. Explique as diferenças entre os fundamentos de duas grandes orientações filosóficas sobre ética. A TRADICIONAL, fundada numa Lei Natural ou Positiva e a ATUAL, fundada na DIALÉTICA

03. A postura do sujeito moral, não se dá fora de condicionamentos sociais, econômicos, políticos e ideológicos. Como fica, nesse contexto, a questão da Liberdade, requisito para a ética?

04. O que é um código deontológico? Em que ele se diferencia da ética?

05. Em nossa cultura, as Igrejas têm, historicamente, poder de definir, em grande parte, o comportamento moral das pessoas, que passa a ser confundido com uma ética universal devido o seu caráter dogmático. A ética tradicional religiosa impõe uma moral que, muitas vezes, se chocam com os princípios éticos da contemporaneidade. Cite pelo menos dois exemplos e justifique.

06. O que significa entender a ética como “filosofia moral”?

07. Porque podemos afirma que a ética é, ao mesmo tempo, uma experiência individual e coletiva?

08. Qual a diferença entre sanção moral e sanção legal?

domingo, 6 de março de 2011

Como você se posicionaria em cada uma dessas situações?


DILEMA 1:

“Uma pessoa querida, com uma doença terminal, está viva apenas porque seu corpo está ligado a máquinas. Suas dores são intoleráveis. lnconsciente, geme no sofrimento. Não seria melhor que descansasse em paz? Não seria preferível deixá-la morrer? Podemos desligar os aparelhos? Ou não temos o direito de fazê-lo? Que fazer? Qual a ação correta?” (CHAUÍ, Marilena. Convite à Filsofia. 13ª ed., São Paulo: Ática, 2004 (p. 305-306)


DILEMA 2:

“Uma jovem descobre que está grávida. Sente que seu corpo e seu espírito ainda não estão preparados para a gravidez. Sabe que seu parceiro, mesmo que deseje apoiá-Ia, é tão jovem e despreparado quanto ela e que ambos não terão como responsabilizar-se plenamente pela gestação, pelo parto e pela criação de um filho. Ambos estão desorientados. Não sabem se poderão contar com o auxílio de suas famílias (se as tiverem).

Se ela for apenas estudante, terá de deixar a escola para trabalhar, a fim de pagar o parto e arcar com as despesas da criança. Sua vida e seu futuro mudarão para sempre. Se trabalha, sabe que perderá o emprego, porque vive numa sociedade na qual os patrões discriminam as mulheres grávidas, sobretudo as solteiras. Receia não contar com a ajuda e o apoio dos amigos. Ao mesmo tempo, porém, deseja a criança, sonha com ela, mas teme dar-lhe uma vida de miséria e ser injusta com quem não pediu para nascer. Pode fazer um aborto? Deve fazê-lo?” (CHAUÍ, Marilena. Convite à Filsofia. 13ª ed., São Paulo: Ática, 2004 (p. 305-306)


DILEMA 3:

“Um pai de família desempregado, com vários filhos pequenos e a esposa doente, recebe uma oferta de emprego que exige que seja desonesto e cometa irregularidades que beneficiem seu patrão. Sabe que o trabalho lhe permitirá sustentar os filhos e pagar o tratamento da esposa. Pode aceitar o emprego, mesmo sabendo o que será exigido dele? Ou deve recusá-lo e ver os filhos com fome e a mulher morrendo?” (CHAUÍ, Marilena. Convite à Filsofia. 13ª ed., São Paulo: Ática, 2004 (p. 305-306)


DILEMA 4:

“Um rapaz namora, há tempos, uma moça de quem gosta muito e é por ela correspondido. Conhece uma outra. Apaixona-se perdidamente e é correspondido. Ama duas mulheres e ambas o amam. Pode ter dois amores simultâneos, ou estará traindo a ambos e a si mesmo? Deve magoar uma delas e a si mesmo, rompendo com uma para ficar com a outra? O amor exige uma única pessoa amada ou pode ser múltiplo? Que sentirão as duas mulheres se ele lhes contar o que se passa? Ou deverá mentir para ambas? Que fazer? Se, enquanto está atormentado pela indecisão, um conhecido o vê ora com uma das mulheres, ora com a outra e, conhecendo uma delas, deverá contar a ela o que viu? Em nome da amizade, deve falar ou calar?” (CHAUÍ, Marilena. Convite à Filsofia. 13ª ed., São Paulo: Ática, 2004 (p. 305-306)


DILEMA 5:

“Uma mulher vê um furto. Vê uma criança maltrapilha e esfomeada pegar frutas e pães numa mercearia. Sabe que o dono da mercearia está passando por muitas dificuldades e que o furto fará diferença para ele. Mas também vê a miséria e a fome da criança. Deve denunciá-Ia, julgando que com isso a criança não se tornará um adulto ladrão e o proprietário da mercearia não terá prejuízo de fato? Ou deverá silenciar, pois a criança corre o risco de receber punição excessiva, ser levada pela polícia, ser jogada novamente às ruas e, agora, revoltada, passar do furto ao homicídio? Que fazer?” (CHAUÍ, Marilena. Convite à Filsofia. 13ª ed., São Paulo: Ática, 2004 (p. 305-306)


DILEMA 6:

“Uma pessoa vê, nas portas de uma escola, um jovem vendendo droga a um outro. Essa pessoa sabe que tanto o jovem traficante como o jovem consumidor estão realizando ações a que foram levados pela atividade do crime organizado, contra o qual as forças policiais parecem impotentes. Deve denunciar o jovem traficante, mesmo sabendo que com isso não atingirá as poderosas forças que sustentam o tráfico, mas apenas um fraco anel de uma corrente criminosa que permanecerá impune e que poderá voltar-se contra quem fez a denúncia? Ou deve falar com as autoridades escolares para que tomem alguma providência com relação ao jovem consumidor? Mas de que adiantará voltar-se contra o consumo, se nada pode fazer contra a venda propriamente dita? No entanto, como poderá sentir-se em paz sabendo que há um jovem que talvez possa ser salvo de um vício que irá destruí-lo? Que fazer?”

(CHAUÍ, Marilena. Convite à Filsofia. 13ª ed., São Paulo: Ática, 2004 (p. 305-306)


sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

"Ética" (Vazquez) Cap. I - Questões para estudo do texto

Cap. I - Objeto da Ética

01. Cite exemplos de dilemas éticos.

02. Defina: norma, moral e juízo .

03. Explique “moral vivida” e “moral reflexa”.

04. Defina Ética e Moral e explique a relação entre ambas.

05. Explique o caráter científico da Ética.

06. Explique como a Ética pode interferir na Moral sem ser prescritiva.

07. Historicamente a Ética está ligada à Filosofia. Existem, no entanto, uma visão tradicional de ética e uma científica. Explicite este debate.

08. Estabeleça uma relação entre Ética e Psicologia e explique o perigo do “psicologismo ético”.

09. Estabeleça uma relação entre Ética e Sociologia e explique o perigo do “sociologismo ético”.

10. Explique a contribuição da antropologia contra a pretensão dos teóricos da moral?

11. Estabeleça uma relação entre Ética e Economia Política nos seus dois aspectos fundamentais.

12. Cite um exemplo de questão ética ou moral com a qual o psicólogo costuma lidar. Cite a situação e esclareça se se trata de um problema ético ou moral, explicando porque.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

"Ilha das Flores"


Vejam postagens sobre o curta "Ilha das Flores" no arquivo do blog 2010 (Fev)

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

E para você, o que é ALTERIDADE?


P
or que se diz que a Antropologia é a ciência da alteridade?

Ética (Seleção de Monitoria)

Atenção:
Teremos seleção de monitoria para a disciplina:
"Ética e Relações Profissionais"
Maiores informações procurem o COPEX

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

"Sociologia e Direito: duas realidades inseparáveis" (Andrea Lucas S. de Castro)

Leia o texto


Questões:

01. Estabeleça uma relação entre Sociologia e Direito.

02. Cite exemplos da relação entre Sociologia e Direito.

03. Em que sentido a Sociologia é vista como uma ciência positiva e o Direito uma ciência normativa?

04. Para Recasens, qual a relação entre Moral e Direito? O que significa encarar o direito como fato social?

05. Sobre a Sociologia Jurídica, responda:

a) Qual o seu objeto de estudo?

b) Quais os seus principais fundadores?

c) Quais as principais barreiras que impedem uma melhor compreensão desta ciência?

06. Quais os objetivos da Sociologia Jurídica?

07. Reflita sobre a expressão: “onde houver sociedade haverá direito”

08. Segundo Philip Selznick, quais as etapas de desenvolvimento da Sociologia do Direito e em qual ela se encontra?

09. Quais temas atuais podem ser abordados pela Sociologia do Direito?

10. Explique a frase: “A relação entre a Sociologia e o Direito deve ser sempre vista como uma reciprocidade.”

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

A sociologia e você

O conhecimento sociológico ajuda a transformar o nosso olhar e a nos perceber como seres singulares contectados a um todo que é a sociedade, com suas alegrias, contradições, conflitos e desafios.


Cite um exemplo de como o conhecimento sociológico contribuiu para que você passasse a ver algo de forma diferente

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Para que estudar Sociologia?

Observe os ARQUIVOS DO BLOG na coluna do lado direito.   O Texto "Para que estudar Sociologia?" está postado em FEVEREIRO (2010).  É só clicar e o encontrará no final da página, pois foi uma das primeiras postagens.   Leia o texto atentamente.   Será muito bem vindo o seu comentário no blog.   Destaque os aspectos que considerar mais relevantes para debatermos em sala de aula.   Boa leitura e até lá.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Psicologia - "Conhecer Pessoas"

Atenção estudantes de Psicologia!  
Acessem a página especícifica da disciplina "Ética" neste blog  e acompanhem as nossas aulas e atividades.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Democracia - Renato Lessa

Quino, autor da “Mafalda”, desiludido com o rumo deste século no que respeita a valores e educação, deixou impresso nos *cartoons* o seu sentimento.

Pernas
Cérebro
Contato humano
Cultura
O próxiimo a quem amar
Ideais, moral, honestidade
Deus
É importante que desde pequeno aprendas bem como as coisas são.

domingo, 8 de agosto de 2010

"O que faz o brasil, Brasil" (Roberto DaMatta)

Os estudantes do curso de História (2º sem) URCA iniciaram o cliclo de apresentações de trabalhos tendo como objetivo debater da complexa questão da nossa "identidade" enquanto brasieliros.  Para isso fundamentaram-se na obra do conhecido antropólgo Roberto DaMatta, associando com pesquisas sobre a cultura local.   O resultado tem proporcionado momentos de descontração e aprendizagem. 
 
Vejam os registros fotográficos:

1. "O que faz o brasil, Brasil: a questão da identidade"

4. "Sobre comidas e mulheres"
2 "A casa, a rua e o trabalho"

7 "O modo de  navegação social: a 'malandragem' e o 'jeitinho'
8 "Os caminhos para Deus"
5. "O carnaval ou o mundo como teatro e prazer"
Degustação de mungunzá
6. "As festas da ordem"
Degustaçãoo de mungunzá

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

"Ser pobre é ser culpado até que se prove ao contrário?"

Assistam o documentário "Nos olhos da esperança" através do link
http://nosolhosdaesperanca.blogspot.com/  e postem seus comentários procurando responder: "Ser pobre é ser culpado até que se prove ao contrário?"  Essa questão interessa a todos nós, e merece uma atenção especial de quem pretende atuar do campo do Direito.   Com a ajuda da Sociologia podemos compreender as questões sócio-econômicas que caracterizam a Justiça e a Polícia no nosso país.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

A arte de sensibilizar o olhar... (ANTROPOLOGIA)

"A arte de sensibilizar o olhar ou por que ensinar antropologia?" (Débora Krischke Leitão)

"Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara. "
Livro dos Conselhos
. *

Marcel Duchamp se permite uma licença poética para definir a pintura como atividade retínica, como arte do olhar. Proponho que se pense então a questão da Antropologia no ensino médio, se não como uma arte do olhar, como um exercício de brincar com a retina. Ensinar Antropologia seria, assim, possibilitar e estimular jogos de luzes, de ângulos e distâncias.
Um par de óculos e uma centenas de lentes
A relação do homem com o mundo é sempre mediada por suas ferramentas. Ele constrói, apreende e interpreta a realidade a partir dos instrumentos que lhe são fornecidos pela cultura. Tecelão quase compulsivo de si próprio, borda sem cessar teias de significados para dar sentido ao mundo (GEERTZ,1989:15) Essas teias, onde se misturam pontos abertos e fechados, novos e antigos, e linhas de todas as cores, são a cultura. É a partir desse véu da cultura, dessas lentes, que vemos então as coisas, os outros, e a nós mesmos.
Cada cultura, entretanto, teria seu par de lentes próprio, ou, no máximo, um certo número de lentes utilizáveis, um certo leque de possibilidades de formas de ver o mundo. As lentes de uma sociedade nunca são as mesmas de outra (BENEDICT, 1997:19). Ainda que tenham semelhanças, são encontradas certas nuanças e particularidades. O que pode ser considerado ponto comum entre todos os homens é a armação, a existência dos óculos em si. As lentes, sempre diferentes, vão variar em espessura, cor e formato.
Uma vez vendo os outros por detrás dessas lentes, e a partir de uma visão de mundo, há uma tendência em considerar nossa forma de ver e fazer as coisas como a mais correta, ou mesmo a única correta. Tal postura etnocêntrica consiste em tomar o que é nosso como o verdadeiro, e o que é do outro (e o que é o outro) como digno de reprovação, dando assim aos nossos valores um suposto caráter de universalidade (TODOROV, 1993: 21).
Uma vez estando ao nosso lado todas as verdades e a certezas, estaríamos autorizados a interferir, em nome de nossa bondade e piedade, no que é do outro. Partindo desse pressuposto muitas formas de dominação, e mesmo etnocídios, tentaram ser legitimados.
O Etnocentrismo não é, entretanto, exclusividade de nossa sociedade ocidental e moderna. É um fenômeno que se registra por toda a parte. Sobre o assunto, Heródoto já nos contava que:

"Se fosse dada a alguém, não importa a quem, a possibilidade de escolher entre todas as nações do mundo as crenças que considerasse melhores, inevitavelmente... escolheria as de seu próprio país. Todos nós, sem exceção, pensamos que nossos costumes nativos e a religião em que crescemos são os melhores... Existe uma multiplicidade de evidências de que este sentimento é universal... Poderíamos lembrar, em particular, uma anedota de Dario. Sendo ele rei da Pérsia, chamou alguns gregos presentes em sua corte e perguntou-lhes quanto queriam em troca de comer os corpos de seus pais defuntos. Os gregos replicaram que não havia dinheiro suficiente no mundo para fazer isso. Depois perguntou a alguns índios da tribo chamada Callatie - que realmente comem os corpos de seus pais defuntos - quanto queriam para queimá-los (referindo-se, é claro, ao costume grego da cremação). Os índios exclamaram horrorizados que nem se devia falar em coisa tão repugnante"*

Binóculos: explorando territórios desconhecidos
Partir para o território do outro, dar espaço ao que não é familiar: esse é o primeiro passo para uma possível transformação do olhar, uma relativização de ponto de vista. A curiosidade do homem sobre si próprio sempre existiu, mas a passagem do curioso, do exótico e do bizarro, para uma consciência da alteridade é que marca realmente o pensamento do homem sobre o homem (LAPLANTINE, 1995:13), e a reflexão a respeito da diferença.
A diversidade cultural só pode ser compreendida se a postura frente ao estranho e ao estrangeiro se tornar mais flexível e permitir existência da diferença enquanto diferença, não enquanto hierarquia.
Deve-se então, em primeiro lugar, aceitar que o outro existe, conhecê-lo e reconhecê-lo. É preciso perceber que somos apenas uma das culturas possíveis, e não a única. Conhecendo as diferentes formas de lidar com o mundo, as diferentes respostas dadas pelas mais diversas culturas é que se pode relativizar o que nos é o estranho, tentando encontrar, assim, no olhar do outro, o ponto de partida. Nossas lentes muitas vezes nos cegam, quando tentamos ver o que está distante. Ajustemos então essas lentes para mais longe, não deixando que nos ceguem para o outro e, principalmente, nos tornem míopes para nós mesmos.
Ensinar a olhar é, assim, antes de tudo, apontar os caminhos desse olhar, fazendo nascer a consciência da diversidade cultural e da pluralidade das culturas.
O Jogo dos Espelhos
É a partir do reconhecimento do outro que eu posso, finalmente, entender quem sou. Cruzar a fronteira, deixando meu território, é a melhor forma de - olhando para trás - ver meu mundo com o espanto e a curiosidade que não podia germinar enquanto eu estava dentro dele.
Por mais que o antropólogo tenha esse quê de viajante, não precisamos aqui falar em transposição de fronteiras físicas. A viagem que proponho é a de simplesmente enxergar o outro lado, a outra margem do lago, o que não me pertence e é diferente de mim. Através do estranhamento provocado pelas outras culturas, modifica-se a forma que temos de olhar sobre nós mesmos.
A reflexão antropológica é, em certa medida, o exercício de um desejo narcísico de conhecer a si próprio. O Narciso antropológico, ao contrário daquele de que tanto ouvimos falar, não vê no lago sua imagem familiar refletida, e sim a imagem de algo que é desconhecido, rica em detalhes que, antes de ver o outro, passavam desapercebidos.
É um Narciso que, em vez de apaixonado, se aproximar cada vez mais do lago para mergulhar em si próprio, toma certa distância para admirar-se de mais longe e a partir de outros ângulos. Começa, então, a estranhar a si próprio, a se espantar com tudo que lhe parecia banal.
O conhecimento de nossa própria cultura só é possível, assim, através do conhecimento do outro, das outras culturas. A partir da experiência da alteridade tem lugar, então, um descentramento do olhar. Essa revolução no olhar (LAPLANTINE, 1996: 19) provocada pelo distanciamento permite, então, que nos espantemos com o que nos é mais familiar, com o que é parte de nosso cotidiano e da sociedade na qual vivemos.
O jogo dos espelhos é justamente esse, tornar o estranho familiar e enxergar o mais familiar com espanto e estranhamento. Assim, passamos a observar mais atentamente tudo o que encontramos. Passamos, principalmente, a reparar.
Bem debaixo do seu nariz
As fronteiras entre o inato e o adquirido são extremamente tênues e vacilantes. Pode-se dizer que todo comportamento humano, do mais simples ao mais complexo, contém um pouco de cada uma dessas duas dimensões. Geertz nos traz o exemplo da anatomia humana: natural e fisiologicamente preparada para a fala, de nada serviria se vazia da cultura, uma vez que é ela que nos fornece as línguas, os idiomas e os dialetos a falar. (Geertz,1989:62). A relação entre natureza e cultura sempre foi interesse não só da Antropologia, mas de praticamente todas as outras formas de busca de conhecimento inventadas pelo homem.
Dada sua proximidade extrema, certos hábitos e costumes culturalmente construídos são, muitas vezes, vistos como fenômenos naturais inatos. De muito perto, sua imagem se desfoca, perdendo a nitidez. Como enxergar com perfeição, afinal, o que está bem debaixo do seu nariz?
A prova mais substancial de que uma série de características humanas naturalizadas são, na verdade, culturalmente dadas é, antes de tudo, o conhecimento de outras realidades onde há uma variação do padrão cultural. Dotados de uma anatomia semelhante, damos a nossos corpos diferentes usos. A maneira de caminhar, vestir, sentar, comer e até mesmo rir, se dá de cultura para cultura, de forma diversa. É a partir da percepção da diversidade, da presença do outro, que se pode relativizar, portanto, nossa própria sociedade. Percebendo que existem outras formas diferentes da nossa de expressar a dor, outras regras de casamento, práticas de cura muito diferentes e distintas crenças e religiões, vemos também nossa cultura com outros olhos. Olhos mais críticos mas, antes de tudo, mais aguçados e muito mais sensíveis.
Do olhar crítico ao olhar sensível
As diretrizes curriculares propostas pelo Ministério da Educação estabelecem a construção de uma visão crítica do mundo como uma das competências a serem desenvolvidas em Sociologia no ensino médio. Essa visão crítica permitiria ao aluno "perceber-se como elemento ativo, dotado de força política e capacidade de transformar"
Ela teria então o mérito de proporcionar essa postura reflexiva por ser, antes de tudo, uma disciplina que propõe que se pense a realidade (muitas vezes cotidiana e próxima de nós) de forma a fugir do senso comum. Antropologia e Sociologia, irmãs gêmeas (não univitelinas, porque semelhantes, mas não iguais; companheiras, porém independentes) têm a reflexão sobre o mundo como companhia inseparável.
Pensar o mundo a partir de uma postura antropológica é, entretanto, ir além da visão crítica. É desafiar, sem temores, nossas próprias crenças e certezas (e as dos outros) mas, antes de tudo é perceber a enorme gama de elementos que compõe a realidade. Ensinar antropologia, mais do que mostrar o lugar de posicionamento crítico, é trocar incessantemente de lugar, é possibilitar que se experimente as mais diversas posições. É ser capaz se entregar a empatia e de se deixar colocar em um lugar diferente do seu, "enriquecendo a perspectiva pessoal com a percepção das relações que se estabelecem do ponto de vista do outro" (MACHADO, 1997:81). É conhecer o outro, mas principalmente compreendê-lo e respeitá-lo. É reconhecer, sobretudo, a existência da assimetria e da diversidade.
Trazendo para dentro da sala de aula temáticas do cotidiano, a "cultura da vida", a Antropologia é capaz de proporcionar, espelhada na comparação com o "outro", o distanciamento essencial para o desenvolvimento do olhar sensível. Desenvolver o olhar sensível é exercitar a um só tempo uma postura crítica, política e cidadã, mas também, e principalmente, poética. Sófocles, dramaturgo grego autor da Trilogia Tebana, foi nomeado general porque, por ser poeta, era capaz de ver as coisas em sua totalidade sem, entretanto, perder em minuto algum a dimensão dos detalhes, das pequenas coisas, das gotículas de tinta que formam o quadro maior. Não precisaria o mundo hoje, mais do que nunca, do olhar sensível de generais poetas?
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Bibliografia
BENEDICT, Ruth. O crisântemo e a espada. São Paulo: Perspectiva. 1997
GEERTZ, Clifford. A Interpretação das Culturas. Rio de Janeiro: LTC. 1989
HERÓDOTO História. In: www.perseus.tufts.edu
LAPLANTINE, François. La Description Ethnographique. Paris: Nathan. 1996
LAPLANTINE, François. Aprender Antropologia. São Paulo: Brasiliense, 1995.
LARAIA, Roque de Barros. Cultura, um conceito antropológico. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor. 1996.
MACHADO, Nilson José. São Paulo: Escrituras.1997
TODOROV, Tzetan. Nós e os Outros. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor. 1993


QUESTÕES

 01.   Geertz define cultura como “teia de significados”.  Explicite o pensamento do autor.
 02.   O que você entende por etnocentrismo?
 03.   Não existe cultura superior nem cultura inferior, o que existe são culturas diferentes.   Explique essa afirmação tendo em vista a idéia de cultura como “teias de significados”.
 04.  Por que se diz que a antropologia exige uma “transformação do olhar”?   Explique.
 05.  “Tornar o estranho familiar e enxergar o mais familiar com espanto e estranhamento”   Explique o sentido dessa frase na perspectiva antropológica.
 06.   “Uma série de características humanas naturalizadas são, na verdade, culturalmente dadas”.  Explique essa afirmação e cite exemplos que a justifique.
 07.  O que significa pensar o mundo a partir de uma postura antropológica?
 08.  Comente o título do texto: “A Arte de Sensibilizar o Olhar... ou  Por que Estudar Antropologia?”
 09.  Qual a importância do relativismo cultural para os operadores do direito?
10.  Explique o sentido antropológico das metáforas utilizadas no texto: óculos, lentes, binóculos, nariz, espelho.